O Palhaço Botão vencendo o medo de Palhaço
Faaaaaaala pessoal, tudo legal?
Então, hoje vou falar sobre um assunto que incomoda muito a este palhaço, que é o medo que algumas pessoas sentem de nós.
Quando digo pessoas e não crianças, é porque já ví muito marmanjo apavorado e se escondendo, diante da minha presença e garanto que não é uma experiência agradável pra mim saber que naquele momento causo tanto pânico.
Uma amiga minha de infância tem uma filhinha que me adora e adora palhaços, mas ela, a mãe, nem chega perto de mim quando estou caracterizado de Botão, mesmo sabendo que sou eu. Dá pra acreditar?
Por incrível que pareça, é muito mais fácil de vencer o problema quando se trata de uma criança, não que eu tenha a fórmula para todos os casos, pois já houve situações em que os pais tiveram que se ausentar do ambiente em que eu estava, mas felizmente isso acontece comigo no máximo umas duas vezes por ano, o que é bem bouco pra quem se apresenta em tantos lugares, não é?
Com crianças minhas estratégias são bem simples:
Em festas de aniversário.
-Nunca entro já pronto em festas de aniversário, pois as crianças estão muito próximas;
-Começo a fazer brincadeiras pra mostrar que estou ali pra animar;
-Se mesmo assim sinto um clima de rejeição, finjo que o palhaço não veio e que eu terei que substituí-lo;
-Uma vez quebrado o gelo do primeiro contato, vou montando o Palhaço na frente deles, mas sempre de uma forma divertida e participativa, colocando peças de roupas em lugares errados para que as crianças corrijam e muitas vezes chego ao ponto de deixá-los me pintar. Claro que já pintáram até a minha orelha, cabelo, dentro do nariz… mas isso é muito prazeroso.
-Outra coisa importante sobre a participação é não forçar a barra. Só participa quem quer.
-Ao me aprontar na frente das crianças, dou a elas o direito de sair de perto ou chamar os pais, caso se sintam desconfortáveis, o que é muito comum, porém mesmo assim sua curiosidade faz com que permaneçam de olho em mim.
Em ambientes abertos ou onde já me encontro caracterizado
-Quando a pessoa não quer, eu não forço e nem permito que forcem aproximações. Respeito a distância e o espaço daqueles que não querem muito contato ou proximidade.
-Faço sinais simpáticos de longe, mando beijinhos, ou até mesmo digo que pode ficar tranquilo que não vou chegar perto. Normalmente quando digo isso já me mandam um beijo de volta, o que já é uma grande vitória.
Olha gente, nem dá pra contar quantas crianças eu ví me rejeitando no primeiro contato e que depois de algumas horas de respeito me abraçaram, beijaram, deram presentes e fizeram juras de amor, o que mostra que minha atitude está correta.
Agora com adultos a cois é realmente mais difícil, pois o preconceito normalmente já está enraizado, então o melhor é apenas respeitar e manter um distância, para que a pessoa não se sinta muito desconfortável.
Nestes anos todos como Palhaço Botão fui muito criticado, principalmente por palhaços mais antigos, profissionais circences e de teatro, por me aprontar na frente das crianças e também porque exponho minha identidade facilmente, basta ver que minha maquiagem não me esconde, que uso barba e isso facilita meu reconhecimento, mas digo a voces: isso tudo é proposital, pois o que eu quero é que o Palhaço Botão seja das crianças e que ele mostre que um palhaço é um ser humano, não um ET, apenas ele se veste de uma forma esquisita e pinta a cara para alegrar e divertir a todos.
Aos meus coleas, vale lembrar que quando somos chamados para participar de um evento, as pessoas esperam que levemos alegrias, não pânico ou medo, certo?
Um beijo a todos aqueles que já gostavam de palhaços antes de me conhecer, àqueles que só passaram a gostar de palhaço depois que me conheceram e também àqueles que ainda não gostam, pois mesmo assim eu AMO e RESPEITO vocês.
Ass: Palhaço Botão
