Histórias do Palhaço Botão: porque me apronto na frente das crianças

Oi galera,

Já percebi que uma das coisas que o pessoal mais comenta e gosta de ler no blog são os “causos”, então vou contar mais uma daquelas histórias dessa minha carreira como palhaço. Hoje dá até pra rir, mas foi um perrengue…

Já faz muito tempo, logo no início da carreira, fui contratado para uma festa de aniversário de uma criança que já me conhecia.

Lembro bem do pai me contratando, todo empolgado dizendo: Nossa, que legal que você vai na festa do meu filho… ele te adora… muito obrigado… enfim, todoas estas coisas legais que deixam a gente todo orgulhoso e faz voce entrar na festa com toda a energia, manja? Nada pode dar errado num dia desses, não é? Engando meu. Pode sim!

Tava eu lá, no banheiro do apartamento (a festa era lá mesmo), me preparando e tal, já dava pra ouvir aquela criançada toda alvoroçada na sala: cadê o palhaço? Daí o pai bateu na porta, me entregou om “reco-reco” e um apito e foi logo dizendo: entra fazendo muito barulho que meu filho tá louco pra te ver…

Acabei de me aprontar, me enchi de empolgação e entrei pela sala fazendo o maior estardalhaço…

BUÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!!!!!

Logo um garotinho comecou a berrar desesperado, e saiu “escalando” a mãe como se ela fosse uma parede de alpinismo. Como se não bastasse esse terror, outras crianças se assustaram com o pânico do menino e também já começaram a chorar. Acho que eles pensaram que mesmo não entendendo o porque, o garotinho devia ter um motivo muito forte pra ter tanto pavor de mim.

Olha, foi o show mais rápido da minha vida, pois a única coisa que passou pela minha cabeça foi virar no mesmo pé e me mandar de volta pro banheiro. Nem tentei brincar e confesso que também fiquei apavorado.

Fui pro banheiro, tirei a fantasia, lavei o rosto e voltei pra festa. O pobre garoto já tinha ido embora - depois fiquei sabendo que se tratava do priminho mais querido, filho da tia do coração e que, ainda por cima, era madrinha do aniversariante. Imagina o constrangimento que não gerou isso tudo, né?

Até consegui brincar e agitar uma recreação, mas a festa rolou num clima beeeeeeem tenso.

Naquela festa decidi que nunca mais entraria já pronto num aniversário e até hoje, quando um pai vem me dizer que o filho não tem receio, lembro a ele que pode ter convidado com rejeição. Já cheguei a deixar de atender porque o pai ou a mãe fazia questão de que eu já entrasse pronto na festa.

Afinal, vou lá pra animar, não pra estragar, né?

Olha, vida de palhaço não é fácil não.

Bjos.

Palhaço Botão

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